terça-feira, 17 de setembro de 2013

Sobre o esquecimento...

"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?

As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."

Miguel Esteves Cardoso

 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Opium

"Tudo o que fazemos na vida, mesmo o amor, fazemo-lo no comboio expresso que rola para a morte. Fumar ópio, é abandonar o comboio em marcha, é ocupar-se de outra coisa que não seja a vida ou a morte"  Jean Cocteau




domingo, 15 de setembro de 2013

"vulnerant omnes, ultima necat"

Todas as horas ferem, magoam-nos lentamente e a última mata...

sábado, 14 de setembro de 2013

intoxicating sadness

no...i'm not in love with my fucking sadness...

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Palavras mais fortes que o silêncio



Se ao menos pudermos salvar um verso nestes tempos de fim de festa.

Se pudermos nos desviar da rota assassina de certas “palavras balas” ( não nos esqueçamos nunca de evitar as palavras que nos atingem à queima-roupa) e usar algumas “palavras salva-vidas” como só os melhores poemas sabem fazer (não nos esqueçamos nunca de tomar, diariamente, a dose certa de palavras que nos impeçam de nos matar).

Se exigirmos das palavras sentidos suficientes para nos dizer amor como quem cheira, lambe, como quem se toca com a mão que acaricia e usa de todos os sentidos e com eles abraça o mundo poderemos pronunciar mais facilmente palavras para as usar mais tarde, quando mais precisarmos como agora por exemplo…

(Vou guardar algumas dessa palavras salvíficas dentro de uma garrafa de vidro e colar por fora este dizer” “quebrar em caso de emergência”.)

A palavra não precisa de ser lida entre linhas, textos, subtextos, pretextos para magoar. A palavra procura a distância da página ou da tua boca para voar e dizer aquilo que sem ambiguidade diz.

Queremos palavras mais fortes que o silêncio.
Que sejam de uma clareza concisa e sem ressentimento
Que dancem musicais
Proferidas por ti que me lês
Na liberdade do lume do teu hálito quente...


Porque somos mais, muito mais do que aquilo que nos tiram e nos querem fazer crer



 
 

 

"Words are Violence..."

O que falo nunca é o que quero dizer, como reproduzir em palavras o gosto do teu toque?...Somos sensações mal cicatrizadas e como dizer um coração batendo?... Somos criadores de nos próprios mas debatemo-nos adiando-nos, andamos na escuridão a procura de nos próprios, as vezes aos encontrões alheios uns aos outros, enredados em servidões quotidianas, há quem lhes chame ganhar a vida, eu chamo gastá-la, desperdiçá-la e qualquer coisa de grandioso aguarda dentro de nos e essa coisa que não sai ca para fora e que não fazemos é que por vezes nos dói...

http://www.youtube.com/watch?v=aGSKrC7dGcY

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Donos de Portugal from Donos de Portugal on Vimeo.

eles são há 100 anos os donos dos escravos que os sustentam que somos nós...Dinastia à portuguesa ou o discreto fedor da burguesia