quarta-feira, 12 de maio de 2021
Pais são estrelas que brilham mesmo depois de desaparecer
"Vocês ensinaram-me a coragem das estrelas antes de partir...e como a luz, continua eternamente mesmo após a morte
This is not Goodbye little alien
"If I was in the library of your mind for a while I would place the smell of coffee
next to the memory of you learning how to ride the bicycle, so you would remember you have to start
in order to find your balance (...) I would hide these lines into your nightmares so the next time you face your
demons, You might think that someone loved you".
este puto com uma camara diz o que vai na alma dum qualquer alien orfão de pai e mãe num qualquer recanto ignoto deste universo.
Só que este alien vai sempre lembrar-se de quem o amou incondicionalmente.
A memória do amor perdura para além do tempo e do espaço.
terça-feira, 4 de maio de 2021
A meus pais
Só estou viva, familiar do Amor que não morre, porque vivem em mim.
(foto de um poema de António Barahona)
segunda-feira, 3 de maio de 2021
terça-feira, 6 de novembro de 2018
Um dia, gastos, voltaremos
Um dia
Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.
Sophia de Mello Breyner
Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.
Sophia de Mello Breyner

domingo, 26 de março de 2017
Não sabemos o que
falar, o que fazer e no entanto fazemos e dizemos. Dizemos mais do
que fazemos. Pouco importa o quê. O importante é dizer antes de
morrer. Ah as sensações meu caro sempre tão imprecisas. E como
exprimi-las? Elas atingem-nos agudas ou difusas. As portas abrem-se e
perplexoso entramos na vida. Não sabemos se isto é sonho ou um
pesadelo. Por isso dizemos. Porque enquanto dizemos não morremos.
Existimos no olhar dos outros ou no que julgamos ver no olhar dos
outros. Talvez sejamos apenas isso: impressões. Vagas. Tudo acontece
num dado momento, num dado lugar. Só o pensar acontece de subito sem
tempo ou lugar enquanto fazemos outra coisa qualquer. A vida passa.
Nada fica da vida que passa. só a memória do quer o olhar dos
outros nos fez sentir. Até não nos importarmos mais com ela porque
já não confiamos mais nela. e é aí que começamos a perder a
vontade de falar, de dizer. A memória é uma construção,
escolhemos aquela que nos fica melhor. Os outros só nos importam na
medida do olhar que nos reflectem e isso se nos interroga e nos
espanta é que nos faz andar para a frente. Sabemos ser sonho ou
ilusão ao olhar dos outros. Sabemos? E a musica pinta todos estes
meus estados de espírito doentios talvez. E o que é a saúde senão
um estado de contentamento consigo próprio? Haverá quem mais se
ache assim, como eu?
Observo aquela mulher
no café de gestos estudados e interessantíssimos de densidade zero
tão parecida com aquela mulher minha irmã que aparenta ser uma
artista na arte de nada fazer e tudo parecer. E que parece gozar
dentro de si a convicção de toda uma suposta genialidade. Será
isso a felicidade, essa convicção? Sinto sem querer essa ilusão. E
entendo-lhe o sabor. Encaro-a por compaixão. Com paixão? Não
consigo. E como queria. Isso enche-me de uma ternura abjecta. Sinto
isso tudo talvez porque ela é afinal minha irmã. Reconheço-lhe a
boca, os olhos o ouvido, o nariz. Criatura impossível, ridicula,
agressivamente ridicula mas que no entanto já foi tão bonita. A
mulher olha para mim e não me reconhece. Ponho os óculos e
reconheço que apesar de muito parecida NÃO é ela a minha irmã.
Mas é como se fosse. Há que amar e acima de tudo perdoar certas
mulheres. A mulher no café sacode os cabelos, retoca o baton e
esforça-se por parecer interessantíssima e por isso mesmo creio que
se torna interessantíssima. E dentro de mim sorrio. Com que vergonha
sorrio. Ontem, hoje amanhã sempre essa irmã, ou aquela mulher do
café tão parecida de gestos cuidadosamente estudados. Tão
cuidadosamente estudados que não tem sentido nenhum. É essa a sua
arte. Que vazia e no entanto que maravilhosa arte essa afinal. A arte
do (des)engano. E o que importa o que somos, senão o que pretendemos
parecer com toda a força do nosso ser? Somos apenas o que
parecemos? É inútil. Não existimos afinal senão pelo que
aparentamos? Há que ser a beleza da mercadoria? A mercadoria
perecível do ser. Com data e prazo de validade no rótulo. Como um
yogurte que azeda. Como a alma destrambelhada. E o destrambelho
cobre-se de muito verniz até um dia estalar. Sem nada mais do que aquilo que aparenta a
alma assusta-se ao ver que afinal a arte é isto. O verniz que estala. O
yogurte que azeda.O artificio que se desfaz. Frágil beleza que se
cultiva com o creme anti idade, com a dieta alimentar, com o yoga,
com a protecção masculina do pai e dos homens que vão passando na
vida dessas mulheres. Oxalá eles nunca vos falhem minhas pobres e
desgraçadas irmãs principalmente quando o espelho vos começar a
falhar...como agora, ontem,amanhã como esse trágico final: o reflexo desse negro espelho que troça de
todas as ilusões de beleza e revela uma patética máscara de ópera bufa. No meio destes pensamentos peço a conta
e saio do café. Já não aguento mais.Não sei se é náusea ou tristeza o que me anima os passos. Mas saio. Preciso de ar e de ver gente bonita de verdade. Gente boa.
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
livres dentro de prisões
Marx quis mudar o mundo, Baudelaire quis mudar a vida. as duas coisas não são assim tão diferentes pois n?...e eu só queria o que toda a gente quer...um lugar para onde ir quando a tempestade rebenta. mas esse lugar não existe. julguei encontra-lo na poesia. mas a poesia não me paga as contas. a poesia não poe comida na mesa, mas é a unica coisa que me faz sorrir. e imagino que assim não sou completamente escrava. suponho que ninguém o é enquanto tiver a sua própria voz. minto claro. a mentira acompanha sempre o medo. creio que não passamos de macacos demasiados ansiosos, com medo muito medo e por isso inventámos as religiões e o dinheiro para nos escravizar. saberíamos ser de facto livres? melhor brincar à liberdade dentro destas nossas prisões quotidianas com direito a folgas e dias de descanso.
falta fome. fome de poesia. de asas. de poesia nestes dias de prosa árida e sem ter onde ir grito ctg ó musa antiga minha querida Natália: "óh subalimentados do sonho a poesia é para se comer".
falta fome. fome de poesia. de asas. de poesia nestes dias de prosa árida e sem ter onde ir grito ctg ó musa antiga minha querida Natália: "óh subalimentados do sonho a poesia é para se comer".
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