quarta-feira, 7 de maio de 2014

The Dream

escrevo-te a meio da noite
quando a solidão mais dói
para te encontrar
para erigir a nossa casa

o nosso mundo
fora do mundo

as palavras procuram fazer coincidir corpo com ausência
distancia trazida aqui e agora á minha presença

queria escrever como quem ama
como quem grita
a matéria em desordem
à procura dum espaço e sentido
mas o que eu digo vale pouco mais do que o silencio
prenuncio do fim
porque a boca estremece com aquilo que não diz
o corpo apodrece com aquilo que não faz

Ouve-me por dentro da minha ruidosa confusão estás tu também
por tudo aquilo que adivinho em ti
Eu sei do medo que te corta as asas
eu também o sinto a rugir em ti
ao escrever-te eu escuto a cor daquilo que tu recusas
mas que sonhas com tanta força
numa exaltação de asas cortadas
e eu já nada posso dizer ou fazer
que nos possa salvar da queda
o Sonho é afinal tao fácil de quebrar
ambos ficamos do lado de fora
mortos do lado de dentro

as palavras nascem para ser tocadas
para baterem asas na língua voluptuosa do dia
e dizerem tudo aquilo que se cala

com uma rajada de palavras queria atravessar-te a alma

mas nunca soube ser mais do que uma violência de abismos

incomunicável

"but everyday we wait for the time we wake up to the dream"...but cant you see it? we are the dream...and i'm slowly disappearing...so wake up...