quarta-feira, 23 de abril de 2014

poeta disfuncional e fora de horas


Mesmo não te compreendendo abre paisagens dentro de ti , intensifica-te, (d) escreve-te como és, violenta(o) e doce, transmuta-te em algo impossível de categorizar, de apreender na ânsia que todos temos de nos arrumar uns aos outros ao canto das palavras e dos dias rotineiros, etiquetas, verdades ou mentiras que colocamos nas testas uns dos outros e que usamos para não defraudar o que os outros e nós próprios pensamos de nós. e por assim ser mais fácil viver. O sentido da vida é a morte nunca te esqueças disso.  por isso somos um barco incendiado sem norte nesta travessia sem retorno rumo ao Nada. somos janelas estilhaçadas desatentas ao sonho que nos poderia guiar, janelas abertas para o silencio maior que nos cega.  Por isso nunca percas de vista o teu sonho, ele  é o teu farol de luz na noite mais escura. Ouve-o, é o teu poeta interior, aquele que escreve o que não tem voz, ou seja tu próprio afinal impronunciável, porque só o que não pode ser contado vale a pena ser contado...o poeta subverte, experimenta, caminha em direcção ao abismo e oferece-lhe abrigo e a parte mais tenra do corpo antes de se despenhar nele, porque sabe que a solidão não tem remédio e o frio jamais se aquece. no fundo de todas as coisas ele insiste em encontrar sentido para o que não tem sentido e abre as mãos e delas saem imagens puras recolhidas nos recantos das ruas mais sujas só para te acariciarem agora numa noite sem sono. ele é os pés de quem andou descalço e se feriu e por isso sabe o quanto te custa andar, ele o grande trôpego, que cai e se levanta só para cair de novo nos mesmos líricos buracos, velho adolescente incoerente de braços que doem ao abraçar de tanto querer conter o amor impossível que se escapa por entre os dedos, miragem que nos incendeia e nos afasta irremediavelmente uns dos outros, porque somos criaturas com uma fome, com uma ansia de beleza que nunca se sacia, ébrios de vertigens prontos a desabar em paisagens de palavras musicais rente ao peito (hey diz-me de que cor é a tua musica preferida para embalar os teus demónios que nunca adormecem) imaginando encontrar do outro lado do sonho quem sabe alguém gémeo no sentir...mas não nos procures à "hora do expediente", a essa hora não estará la ninguém para te acolher caro poeta, entretidos que todos estamos a viver no lado funcional e "funcionário" da vida... 

quarta-feira, 16 de abril de 2014



"Please put me to bed
and turn down the light

Fold down your hands
Give me a sign
Hooked on your lies

Lay down next to me
Don't listen when I scream
Bury your doubts and fall asleep
Find out....I was just a bad dream

Let the bed sheet
Soak up my tears
And watch the only way out
disappear
Don't tell me why
Kiss me goodbye

For neither ever, nor never
Goodbye
Neither ever, nor never
Goodbye
Neither ever, nor never
Goodbye
Goodbye"

faladores com o insignificante e calados com o que nos assusta

" Somos sempre muito faladores com o insignificante e muito calados com o que nos assusta. Assusta-nos o íntimo das nossas vidas, por passarmos por todas as portas sem pensar que elas se fecham para sempre atrás de nós. Não podemos voltar atrás para compor o inacabado ou as palavras soltas, ou o que faltou..." augustina Bessa Luís

Escape

"Aparece-me...
Ajuda-me a existir
Ajuda-me a existir" Octávio Paz

Ajuda-me a existir. ajuda-me a resistir a toda esta melancolia que vai-me quebrando a pouco a pouco. eu que nunca soube ouvir o doce grito da tua alma junto ao silencio do teu corpo distraída que estava a procurar sentidos onde não os havia. agora na tua ausência sei que saberia finalmente escutar-te porque agora esse grito sou eu...sim agora sei o que sentiste...

"Now i know how you felt
 Now i know how you felt"

so please forgive me...



sábado, 5 de abril de 2014

i miss you...



i'm fading away. i'm sick of wanting too much. in the centre of the universe there was always you my dear, i thought i could find you in somebody else...i guess i was wrong...and i really miss you

quarta-feira, 2 de abril de 2014

o que era tão importante afinal escapou-se-nos, breve breve roçar de asas, ou folhas trazidas pla chuva e plo vento a voar por cima daquilo que fomos...as horas essas vão-nos comendo o corpo, célula a célula, lentamente, só o sonho, só esse permanece intacto dentro do coração

Black Water



"deus tem que ser substituído rapidamente por poemas, sílabas sibilantes, lâmpadas acesas, corpos palpáveis, vivos e limpos.

a dor de todas as ruas vazias.

sinto-me capaz de caminhar na língua aguçada deste silêncio. e na sua simplicidade, na sua clareza, no seu abismo. sinto-me capaz de acabar com esse vácuo, e de acabar comigo mesmo.

a dor de todas as ruas vazias.
(...)
sujo os olhos com sangue. chove torrencialmente. o filme acabou.
não nos conheceremos nunca.

a dor de todas as ruas vazias.

os poemas adormeceram no desassossego da idade.
fulguram na perturbação de um tempo cada dia mais curto. e, por vezes, ouço-os no transe da noite. assolam-me as imagens, rasgam-me as metáforas insidiosas, porcas...e nada escrevo.
o regresso à escrita terminou. a vida toda fodida e a alma esburacada por uma agonia tamanho deste mar.

a dor de todas as ruas vazias."

Al-Berto
Horto de Incêndio