domingo, 30 de março de 2014

'Til single spark ignites it



"Your head's
a busy place
A port for
thoughts coming back
Like ships flown
overseas
While swarms of birds
passing by

If I could
catch a thought sometime
I'd put it
in a safe place
To the elements
I've got
And next time I would check
it would be gone

'Til single spark ignites it
to new light
'Til single spark ignites it
to new light
'Til single spark ignites it
to new light
And it comes back to you;
finally getting through

Your heart's
a messy place
A giant
garbage dump
for all the feelings
you can't handle
That's where you
bury all of them
and wait 'til they decay

'Til single spark ignites them
to new light
'Til single spark ignites them
to new light
'Til single spark ignites them
to new light
And they come back to you;
finally getting through" Apparat

domingo, 23 de março de 2014

Entre o que vejo e o que digo

"Entre o que vejo e o que digo,
entre o que digo e o que calo,
entre o que calo e o que sonho,
entre o que sonho e o que esqueço,
a poesia.

Desliza
entre o sim e o não:
diz
o que calo,
cala
o que digo,
sonha
o que esqueço.

Não é um dizer:
é um fazer.
É um fazer
que é um dizer.

A poesia
se diz e se ouve:
é real.
E, apenas digo
é real,
se dissipa.
Será assim mais real?

Ideia palpável,
palavra
impalpável:
a poesia
vai e vem
entre o que é
e o que não é.
Tece reflexos
e os destece.

A poesia
semeia olhos na página,
semeia palavras nos olhos.

Os olhos falam,
as palavras olham,
os olhares pensam.

Ouvir
os pensamentos,
ver
o que dizemos,
tocar
o corpo da ideia.
Os olhos
se fecham,
as palavras se abrem. "


Octavio Paz

the woman and the sea

De todas as solidões, a mais dura era aquela que ela suportava na companhia dele. Abria a boca e o silencio era ensurdecedor, não se ouviam, partilhavam vazios e conversas mudas. Pressentia que o mais importante ficaria para sempre preso na garganta e que as palavras servem apenas para preencher silêncios ou para ilustrar o acessório e o banal. O essencial, o que realmente os revelaria em toda a sua luz ficaria eternamente na sombra entre aquilo que dizem e aquilo que afinal queriam dizer. E nunca chegarão a dizer-se um ao outro por não se ter ainda inventado as palavras que os descreveriam em toda a sua singular autenticidade, em toda a sua incomunicável fragilidade. E no entanto ainda hoje estão fisicamente juntos e insistem em abrir a boca e falar de costas voltadas um para o outro. Não aguentariam viver doutra maneira, sem esse ruido de fundo para os entreter, para os acompanhar ou talvez para se enganarem melhor...os amigos nem suspeitam e invejam-lhes a relação duradoira e dizem até que eles são o casal perfeito. Às vezes à força de tanto fingir ela chega a acreditar que sim que são muito felizes. Ele também. E até planeiam, um dia destes, fazer um filho para a felicidade ser completa. Mas ao final da tarde, antes de ele chegar a casa, ela as vezes pega no carro e conduz até ao mar. Ela olha para o mar e o mar parece falar-lhe numa linguagem só deles, ela entende-se com ele. Ali ela não se sente tão só e pode finalmente respirar...

sábado, 22 de março de 2014



corpos colisões labirintos
altas combustões
onde incendiávamos todo um universo
até entrarmos deslumbrados
dentro da pele um do outro

éramos a nossa própria casa a pulsar nas veias insondáveis aonde a coisa amada tinha o poder de criar ou destruir mundos, aonde eu e tu nos fundíamos num só amplexo solar. éramos tudo o que precisávamos e não sabíamos da morte fria e obsessiva das pálpebras depois de nós...

agora despeço-me de nós um pouco mais distantes a cada dia que passa
com o seu novelo interminável de pequenos nadas que me cansam até à náusea...

já não sei em que parte de mim te aguardar
onde mais te procurar...onde mais me encontrar...

e há um frio que não se aquece...aqui onde o coração arrefece...








dentro

I'll keep holding on...

"I'll keep holding on, holding, holding, holding...that's all i have today
It's all i have to say"



sexta-feira, 21 de março de 2014



deixo as horas passar, trago dentro de mim vertigens, rumores de mundos ao avesso que não me levam a lado algum senão em círculos cada vez mais fechados, apertados, sítios por onde passei em sonho ou em pessoa e ressoam desvarios vários. como o teu sorriso-abismo, adentrando-se fundo em mim a engolir-me inteira. o teu sorriso (ou o que resta dele contaminado, deturpado na minha memória excessiva) ele fere-me e não há nada que possa viver, fazer, imaginar para o tirar daqui. queria-te despejar, erradicar-te de mim mas tudo isto ultrapassa-me e parte-me em mil cacos inúteis. Já não sei o que fazer, irrompes em tudo o que faço, tropeço em ti nas coisas, os gestos deixados a meio cada vez mais desadequada e alheia ao quotidiano. Oiço as pessoas e parecem-me bonecos a abrir e fechar bocas, corpos sem alma, vazios porque quis-me encher de ti até as ultimas consequências e assim esvaziei tudo o que depois de ti me aconteceu. até tu já não seres tu de tanto te preencher na tua ausência. quando chegaste eras afinal tão pequenino, sem poesia. soubeste-me a pouco. ninguém pode chegar à altura da ideia que fiz de ti nem mesmo tu...sinto cada vez mais expressões, sentimentos gastos em tudo o que me rodeia, parece que as vezes quero dizer qualquer coisa importante mas nada sai, tudo o que toco desfaz-se em desilusão e no fundo não há grande coisa para dizer, é uma questão de ir aguentando, enterro a cabeça entre as mãos e aguento um pouco mais, um pouco mais um pouco mais um pouco mais...

quinta-feira, 13 de março de 2014

"Art is the highest form of hope." Gerhard Richter