quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Disorder



"I've been waiting for a guide to come and take me by the hand,
Could these sensations make me feel the pleasures of a normal man?
These sensations barely interest me for another day,
I've got the spirit, lose the feeling, take the shock away.

It's getting faster, moving faster now, it's getting out of hand,
On the tenth floor, down the back stairs, it's a no man's land,
Lights are flashing, cars are crashing, getting frequent now,
I've got the spirit, lose the feeling, let it out somehow.

What means to you, what means to me, and we will meet again,
I'm watching you, I'm watching her, I'll take no pity from you friends,
Who is right, who can tell, and who gives a damn right now,
Until the spirit new sensation takes hold, then you know,
Until the spirit new sensation takes hold, then you know,
Until the spirit new sensation takes hold, then you know,
I've got the spirit, but lose the feeling,
I've got the spirit, but lose the feeling,
Feeling, feeling, feeling, feeling, feeling, feeling, feeling."

- Joy Division

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Somos um poço fitando o Céu

"Nós nunca nos realizamos. Somos dois abismos — um poço fitando o Céu." Fernando Pessoa
"Um hálito de música ou de sonho, qualquer coisa que faça quase sentir, qualquer coisa que faça não pensar." Fernando Pessoa

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Sometimes...

“Sometimes, i sit alone under the stars and think of the galaxies inside my heart, and truly wonder if anyone will ever want to make sense of all that  i am.”
                                             - Christopher Poindexter
                                                   

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sleep now...

now that the drowned dawn approaches, slather your body in the murky waters of memory, you can't no longer distinguish your dreams from what you lived, can you?...just rest you body and keep on dreaming a little more, till your soul cant take it no more and drifts away...but untill then enjoy your ride...and gently close your eyes please...


desabafo alienigena

...onde quer que tu tenhas ido tu foste sem necessidade de passaporte e de dinheiro, tu só foste através daquilo que sentiste...é essa a tua maneira de viajar...sentindo...por vezes há uma vontade tão grande de partir por dentro do sonho onde tudo se cheira, toca e se prova com muito mais intensidade e verdade...e de nunca mais voltar para estes dias terráqueos cada vez mais cinzentos e difíceis de suportar...

domingo, 19 de janeiro de 2014

You are a horse running alone...



“you are a horse running alone
and he tries to tame you
compares you to an impossible highway
to a burning house
says you are blinding him
that he could never leave you
forget you
want anything but you
you dizzy him, you are unbearable
every woman before or after you
is doused in your name
you fill his mouth
his teeth ache with memory of taste
his body just a long shadow seeking yours
but you are always too intense
frightening in the way you want him
unashamed and sacrificial
he tells you that no man can live up to the one who
lives in your head
and you tried to change didn't you?
closed your mouth more
tried to be softer
prettier
less volatile, less awake
but even when sleeping you could feel
him travelling away from you in his dreams
so what did you want to do love
split his head open?
you can't make homes out of human beings
someone should have already told you that
and if he wants to leave
then let him leave
you are terrifying
and strange and beautiful
something not everyone knows how to love.” 

 Warsan Shire 
 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

"I'm the ghost in your house, calling your name..."


Encalhados...

Encalhamos nas coisas. Quando perdemos alguém, perdemo-nos também. Ok isso não é novidade nenhuma. O que eu não sabia é que há um excesso de sítios e objectos a lembrarem-nos das nossas ausências. O dos sítios já eu esperava e até os evito, agora os objectos?...(andamos nós na nossa vidinha, a pensar que está tudo sob controle, até que uma manhã idêntica a qualquer outra manhã damos de cara com o fantasma da pessoa amada a vaguear contra nossa vontade pela casa)...Ah que solidão desalmada a dos objectos sem ti. é um CD, um pente, aquela pedra polida que tu recolheste da praia e que depois pintámos juntos para servir de pisa-papéis, ela pisa-me, pesa-me tanto na alma. Há nela tanta ternura magoada. Mas continuamos a andar, recomeçamos sempre a andar, a insistir sabe-se lá porquê, avaliamos esforços, pequenas arrelias, tudo nos parece pequeno, vazio, torto, insignificante. mas entretemo-nos, à espera que o tempo conserte tudo aquilo que se partiu só que o tempo não conserta nada, torna tudo ainda mais irremediável, insuportável. Nada que um "fake smile" não consiga esconder, vamo-nos iludindo, escolhendo as companhias em função de pequenos detalhes que nelas nos evocam a pessoa querida e desaparecida. que dizer das pessoas que assim do nada, de repente enchem-se de ti? É por seres tão grande, gigante mesmo, que cabe lá tanta gente, não há fuga possível...encalhamos sempre nas pessoas e nas coisas que tanto queremos esquecer...


domingo, 12 de janeiro de 2014

Precious, fragile things...

"There are so many fragile things, after all. People break so easily, and so do dreams and hearts."
— Neil Gaiman, Fragile Things


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

monólogo duma alien a sentir-se velha e cansada...

Ontem éramos essa sensibilidade de criança, tínhamos "olhos redondos de espanto", o mundo era fruta madura de escolher, morder, espremíamos o suco dos dias para as nossas bocas, transpirávamos vida e a vida toda condensava-se num sorriso teu de te veres olhado por mim, só existíamos na exata medida daquilo que olhávamos porque nós não sabíamos nada, não compreendíamos nada mas víamos, provávamos, abraçávamos tudo. As palavras nomeavam exatamente aquilo que dizíamos, sem os gumes dos desenganos a magoar e nós mergulhávamos os dedos na matéria fundente da poesia que eram os nossos corpos labaredas sem sequer nos queimar, nós éramos o milagre de estarmos vivos. Quando é que deixámos a semente podre do Medo a crescer dentro da pele? Quando deixámos de nos surpreender, de acreditar? quando é que o silencio passou a valer mais do que as nossas palavras? Quando é que tudo começou a entorpecer de tanto doer? Que espécie de vida é esta que se leva sem paixão, na obrigação estéril e triste de se estar vivo? Quando é que nos tornámos estranhos um para o outro? Será que a vida é como naquela canção " Oh yeah life goes on long after the thrill of living is gone." Será que vale a pena sobreviver a uma vida assim?...but  "one of these mornings, won't be very long, You will look for me and I'll be gone"...
“And in the end, we were all just humans...Drunk on the idea that love, only love, could heal our brokenness.”    

 F. Scott Fitzgerald

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Foste tu que me desvendaste o Amor

"Foste tu que me desvendaste o amor que eu desconhecia. A bondade e a ternura, que eu desconhecia. Não exerci talvez nenhuma influência na tua alma -- tu apaziguaste-me. O amor era em mim um simples impulso: criaste-o, e pouco a pouco essa força nas tuas mãos se transformou em sentimento religioso. (...) É certo: cada ano que passa é um laço que nos prende e quanto melhor conheço a tua alma, mais me purifico ao seu contacto. Não só fazes parte do meu ser, mas da minha consciência. Chego às vezes a supor que tu és a minha consciência. Por isso esta separação vai ser dolorosa, ainda que eu creia que nos tornaremos a encontrar noutro mundo melhor. Não decerto para vivermos as horas que passamos juntos à beira do lume, penetrados um do outro e unidos pelo silêncio, mas numa vida superior que antevejo e numa paz mais profunda. Ainda assim tenho pena. Tenho pena das horas monótonas que correm -- do tempo que passa -- da brasa que se extingue...
Foste o fio que ligou a minha vida desordenada. Há em mim um ser desconhecido que me leva, se não estou de sobreaviso, a acções que detesto. Uma palavra tua me detém. Tenho passado o tempo a comentar-me e poucas almas me interessam como a minha. O que eu amo sobretudo é o diálogo com esse ser esfarrapado. Dêem-me um buraco e papéis e condenem-me à solidão perpétua. É-me indiferente... Isto é, um erro -- e tu fizeste-mo sentir. Sem mo dizeres -- compreendi que a nossa vida é, principalmente, a vida dos outros... Melhor: compreendi que a ternura era o melhor da vida. O resto não vale nada. Não é por a esmola da velha do Evangelho ser dada com sacrifício que é mais aceita no céu que o oiro do rico -- é por ser dada com ternura. O importante é a comunicação de alma para alma. A mão que aperta a nossa mão, o olhar húmido que procura o nosso olhar, o sorriso que nos acolhe, desvendam-nos o mundo. Às vezes é um nada que nos faz reflectir, é um momento, é uma figura que nos entra pela porta dentro e de quem nos sentimos logo irmãos...
Ainda não há muito que passei uma tarde no lagar, com os homens que assentavam os dornões, e achei um grande encanto àquela lide rude. Cheirava a mosto, e o cheiro pareceu-me mais penetrante que das outras vezes. É a quadra do ano em que caem as primeiras chuvas. Sente-se que vem aí o desabar imenso, nas noites que não têem fim --e aquela voz séria que nos faz reflectir. Há já um pique de frio, que sabe bem, e os ratos e as doninhas começam a levar para os buracos as primeiras folhas amarelecidas que caem das árvores. Tudo adivinha o inverno. A porta da adega comunica com a cozinha térrea da nossa pequena lavoura. Debruçada sobre o lar, a mulher deitava um feixe de sarmentos da poda sobre as brasas, e a fogueira lambia as paredes negras que reluzem, iluminava os potes de ferro e o berço do filho ao lado do lume, a quem ela ia falando em-quanto fazia o caldo... Este pequeno quadro de interior humilde -- o homem que trabalha comigo na mesma vinha, o moço que o ajuda, a mulher e o berço, fizeram cismar... Aproximo-me cada vez mais -- outro inverno, ou a ideia da morte? -- da vida de todos os dias. Esta época do ano é a que melhor se harmoniza com a minha alma um pouco cansada e triste -- já resignada diante do fim. É agora que eu acho mais sabor à vida -- quando a sinto fugir-me. Cheira a folhas apodrecidas. As sombras mais frias, à espera de outras sombras geladas e eternas, trespassam-me de humidade. Anuncia-se o grande inverno no pio das aves, na cor das folhas que se arrepiam com a lufada do vento e caem uma a uma com um ruído tão leve como os passos da Morte...
O sentimento da vida humilde inspiraste-mo tu; este e outros de apaziguamento e verdade. Ligaste-me mais aos vivos e aos mortos. Aos que estão sentados ao nosso lado nesta noite sagrada e à legião infinita que tem sofrido no mundo, cumprindo a vida, aos desgraçados e aos humildes, aos pobres de pedir que caminham como dantes pela estrada. A chuva cai fora, com o ruído manso de quem se resigna e aceita a dor... Cheguemo-nos mais para o lar, que eu faço arder uma fogueira que nos aqueça a todos -- toros de carvalho duros como ferro que dão uma luz mortiça e um calor persistente; o pinheiro que arde, estala, flameja, numa grande labareda fugaz; as vides que plantei e já me aquecem há dois invernos e as pinhas que gosto de atirar uma a uma ao lume e que se transformam em maravilhosas flores de ouro, cujas pétalas só duram um instante... Cheguem-se todos os que no mundo me deram um bocadinho de ternura!
Tu, primeiro, de quem herdei a sensibilidade e esta paixão pelas árvores e pela água, e de quem sinto as mãos pousadas sobre a cabeça, trespassando-me de ternura; tu, tão velhinha, que me quizeste como a um filho, e vós todas de quem confundo as cabeças brancas. Sinto na mão um dedo nodoso que já não existe e a que a minha mão ainda se apega. Sinto as mãos que toquei durante a vida. Muitas já desapareceram, mas estão aqui entre as minhas -- as mãos de meu pai, as mãos de minha mãe, as mãos pequeninas das crianças. Não a mão material -- mas as mãos espirituais. As mãos quando a gente as aperta e as tem entre as suas dão-nos o ser inteiro pelo contacto. Destruídas pela morte fica a ternura que nos transmitiram.
Um momento, um só momento, um momento e lágrimas, um único momento para lhes fazer sentir também a minha ternura, redobrada pelos anos, aumentada pela saudade, amplificada pelo conhecimento da vida e da dor!..."

Raul Brandão